Enfim aqui.

Oi meus queridos artesãos,

Depois de uma temporada bem corrida por aqui e em plena inauguração do meu ateliê aberto ao público, estou aqui. Não conseguia parar para escrever de jeito nenhum. Mas o motivo é o melhor; a realização do sonho do “ateliê próprio”!!

Tenho certeza que todos vocês, salvo talvez os que já realizaram este sonho, vivem fantasiando sobre todos os detalhes de quando tiverem um ateliê. Eu não fujo á regra.

Durante uns 5 anos eu fiquei trabalhando em casa. Tive ateliê na sala, em um quarto, aberto ao público dentro de casa, fechado e apenas com vendas pela internet (desde que meu último filho nasceu). Agora que meu bebê já tem 3 anos e eu também fiquei 3 anos na retaguarda para meu marido cursar a faculdade, senti no meu coração que era minha hora de correr atrás do meu sonho e assim eu fiz!

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Em pleno inicio de Julho eu encontrei um imóvel perfeito pra mim. As condições para encontrar este local eram:

  • ser iluminado de luz natural
  • ter tranquilidade para trabalhar
  • estar acessível aos clientes (parece contraditório com a condição acima mas é isso mesmo)

Nada fácil seria achar local com tais condições aqui numa cidade tão pequena e ainda no início da alta-temporada de Inverno na Mantiqueira.

Mas eis que o local como mágica se apresenta aos meus olhos! Mais ou menos, porque eu estava perguntando para a cidade toda sobre um lugar pra alugar…

 

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O local é essa escadinha e as três janelas

Ninguém via esse lugar gente! Parece um apartamento não é mesmo? Agora vamos ás condições:

  • Condição 1 – luz natural – Nem precisa dizer muito com essas três janelas não é mesmo!
  • Condição 2 – tranquilidade – Como não estou de porta para a rua, tenho mais tranquilidade. Também posso fechar a porta para produzir.
  • Condição 3 – acessibilidade – Estou no centro da cidade e a rua é bastante movimentada, mas sempre tem lugar para estacionar, pois não está no circuito mais central.
  •  

      Todos os dias eu chego aqui e me sinto realmente feliz. Estar em contato com o público, mostrar e explicar meu trabalho, mostrar como eu faço e onde é um prazer enorme! Agora é trabalhar bastante!!!

Aqui no ateliê também tenho trabalho de outras artesãos, que vocês podem conhecer no nosso perfil do Instagram @mimopatchwork_.

Espero poder mostrar agora por aqui como fiz todo o processo para poder abrir o ateliê. Como escolhi as cores, móveis, quanto eu gastei…

Mas uma coisa eu posso afirmar; você precisa de muito menos do que você imagina para realizar o seu sonho! Mas você precisa estar mergulhado na sua força de vontade, coragem e auto-confiança. É tudo que você precisa.

 

 

Como eu organizo minha produção

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Olá artesãs e artesãos do meu coração!

Hoje vamos falar daquela parte que a gente mais ama do nosso trabalho: PRODUZIR.

Acho que todos acham que por ser uma atividade que gostamos muito de fazer, que ela simplesmente flui naturalmente, mas a realidade é bem diferente. Tem dia que estamos cheia de encomendas e é justamente nesse dia que bate aquela vontade de testar aquele produto diferente, ou tem dia que não estamos inspiradas para nada. Alguém se identificou ai com essas situações?

Bom, o que eu sugiro é fazer uma organização semanal da produção da semana. Mesmo se você ainda não tem muitos pedidos e encomendas, é bom começar a se organizar para quando elas começarem a pipocar você já ter a ferramenta ideal para controlar tudo isso.

Vou dar o meu exemplo de organização, lembrando que já o modifiquei inúmeras vezes e ainda estou no processo.

Bom, ultimamente eu uso um programa gerenciador de tarefas chamado Todoist que estou amando e querendo passar logo logo para a versão paga. Tenho ele tanto no computador como no celular e ele gerencia todas as demais tarefas que tenho; família, trabalho, blog, projetos, etc…

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Eu divido minha produção em três partes principais:

  • encomendas
  • feirinha/ loja virtual
  • coleções/ criativo

Semana passada por exemplo, eu apenas fiz produção relacionada a feira que eu iria participar no final de semana e essa semana estou me dedicando as encomendas que ficaram para trás. Por isso a importância de já no início da semana organizar o que você vai fazer a cada dia para não perder tempo.

Mas em semanas “normais” eu gosto de variar dentro dos dias da semana:

  • segunda-feira: encomendas
  • terça-feira: feirinha
  • quarta-feira: criação

e por ai vai….

Como somos todos aqui seres criativos, essa organização nem sempre é rígida, pois pode acontecer de ter dias que estou super inspirada e tenho ideia de algum produto novo eu vou em frente. Enquanto dias que estou mais “sem inspiração” eu faço as encomendas. Não significa que eu produza as coisas quando estou mal, porque ai não há santo que ajude a peça a ficar pronta, tudo acontece de errado e o melhor a fazer é trocar de atividade mesmo.

Mas mesmo quando eu troco um dia pelo outro, o produtividade não é prejudicada, pois já sei o que tenho que fazer nos outros dias e não fico com aquela sensação de barata tonta, sem saber por onde começar ou qual projeto dar continuidade.

Dica 1: se quiser saber mais sobre esse programinha Todoist, indico o blog da Thaís Godinho, o Vida Organizada. Ela é embaixadora da ferramenta no Brasil e explica tudo direitinho no blog dela.

Dica 2: tenha um dia por mês no seu calendário de produção dedicado a terminar projetos começados e que sempre ficam lá, esperando para serem finalizados. Quem nunca?

Programas de TV que me inspiraram nesse final de semana

É domingo a noite e não consigo me concentrar para fazer o cardápio da semana. Vi dois programas que me deixaram muito pensativa, e talvez, dividindo com vocês eu consiga enfim, voltar ao meu dia-a-dia comum e prático.

EllenaUm dos programas que passou no sábado a tarde foi a reprise do GNT Fashion em Grasse, na França. Foi uma visita ao ateliê de Jean-Claude Ellena, renomado perfumista da Hermés, famosos por várias frangrâncias famosas de grifes importantes. Várias coisas me chamaram a atenção; a primeira foi que ele trabalha apenas com mais duas pessoas em uma casa enorme. Não sei vocês, companheiras de profissão, mas eu gosto de privacidade para criar. Não sei fazer diferente. Me identifiquei, rs.
A segunda coisa foi que ele disse que se recusa a trabalhar em cima de pesquisa de marketing. Ele é fiel às suas ideias e apenas traduz perfumes que “surgem em sua mente, assim como uma música para quem compõe.” Ah gente, fala sério! Quanto respeito eu tenho por uma pessoa dessa. Aqui me mostrou que eu tenho que voltar meu trabalho mais as minhas ideias, ao meu estilo. Muitas vezes acabamos achando que o que gostamos não cola mais, ou está fora de moda, ou que já está cansativo e nos voltamos para o externo, para as referências. Chega uma hora que as referências parecem não dizer mais nada. Quem nunca?

Laura Dekker

Outro programa que vi foi um documentário, sobre uma menina de 16 anos que deu a volta ao mundo em um veleiro sozinha. Fiquei passada. Primeiro que ela não tem 16, é enganação!! Ela tem maturidade de uma menina de 20 e muitos. E a sua entrega ao seu sonho é uma coisa maluca, totalmente o que deveríamos fazer se estivéssemos mais conectados com nós mesmos. Quem faz e vive do artesanato são pessoas que vivem seu sonho, que vivem seu talento. Que assumem o risco de estar nessa tormenta que é o nosso mercado atual. Que tem que dar o melhor de si para vencer todos nossos bloqueios e fraquezas. Não deixem de ver o trailler aqui.

Espero que também fiquem inspirados por esses exemplos de vida, pois ainda existem pessoas que lutam pela sua arte e pelo seu talento.

Viva a sua verdade.
Boa semana.

Conhecendo ateliês: Galpo calçados

Calçados simples e confortáveis. Somado a isso uma estética moderna e uma filosofia de marca muito marcante.

O ateliê fica nos fundos da casa do pai de Rafael, Adalberto, que tem 45 anos de chão de fábrica e começou como aprendiz em modelagem aos 11 anos. Ele e Rafael Neves fabricam calçados artesanais. Rafael é Designer de produtos e já foi professor universitário por 10 anos, ministrando cursos de Design, Arquitetura e Gestão (com ênfase em calçados), mas preferiu dedicar-se a um projeto próprio, a Galpo.

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Para ele, e para mim também, é extremamente importante conhecer todas as etapas da produção. Tem outro post aqui no blog que gravei um vídeo com uma senhorinha, Dona Fia, que faz tecidos em algodão desde a etapa de colhe-lo (aqui). A criação dos calçados Galpo vem de uma filosofia muito concreta: “O produto existe para ser funcional, e não deve ser lembrado enquanto em uso, pelos calos! Kkkk”. Mas o Galpo não é só confortável, também é muito bonito, linhas simples, material natural e é muito durável, pois são feitos de couro. “As pessoas me questionam muito sobre o uso do couro. Não refletem muito a respeito e muitas vezes aceitam modismos e o generalizam para tudo. O couro nada mais é que um subproduto da carne. Enquanto o mundo consumir carne, o couro existirá. É um material extremamente durável e uma  alternativa para quem não quer um calçado em lona tingida com corantes tóxicos ou materiais sintéticos a base de petróleo, que vão estar no aterro em poucos meses de uso. O calçado em couro envelhece e adquire personalidade, os traços do dono.”2014-12-27 18.47.56

O solado é feito de Crepe (borracha natural). A Galpo segue um pensamento mais oriental, de que o calçado deve permitir que o indivíduo sinta a resposta do solo ao caminhar, isso faz com que os músculos e articulações que sustentam o corpo se fortaleçam.”  explica Rafael. Sabe que eu nunca tinha pensado nisso antes?!

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Rafael também ilustra as campanhas incríveis da marca! Olha só:

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Resumindo, ele define a marca assim: “Acho que representa o trabalho de duas pessoas tentando resgatar a essência funcional em um calçado! Sem lantejoulas! Espero que a Galpo seja associada a um bom produto… resultado de um bom trabalho!

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Realmente gente, aqui em Gonçalves, que tudo virou lama nessas útimas semanas, usei muito o meu Galpo. Ele tá até sujo ainda. E é impressionante como ele combina com vários looks meus, desde calça até vestido. Realmente é muito confortável. Dá vontade de ter vário! Rsrs Eu preferi um pretinho básico, mesmo porque meu coturno velho de guerra estava um caco. Já estou usando ele a alguns meses e realmente, o couro se “enforma” do seu pé de uma forma tão perfeita e também é bem impermeável, se comparado aos outros materiais. Outra coisa que gostei é que ele tem costura, e hoje tudo é na cola. Não gosto disso, porque cola, descola uma hora ou outra. Tenho muitos calçados que estragaram porque descolou a sola. Tênis dos filhos então….

Meu Galpo sujo

Meu Galpo sujo

Espero que tenham gostado de conhecer esse produto que representa tanto da essência do artesanato; da vida criativa, ao reaproveitamento, ao demoradamente produzido para durar. E o que dá mais sentido as nossas vidas: Trabalhar com o que se ama, com o que se acredita.

Parabéns Rafael.